TMT – Núcleo de Estudos sobre as Transformações no Mundo do Trabalho
  • Nota de repudio à nomeação do Reitor da UFPB

    Publicado em 30/11/2020 às 22:47

    Nós, do Núcleo de Estudos sobre as Transformações no Mundo do Trabalho – TMT, nos somamos a IGS/Brasil (International Gramsci Society-Brasil) no repúdio à nomeação do Reitor da UFPB pelo atual governo, por entendermos que esta nomeação, à revelia da consulta pública realizada no interior da universidade, manifesta-se como uma ação autoritária e antidemocrática, que fere a autonomia universitária inscrita na Constituição Federal e desrespeita os sujeitos que diariamente atuam na instituição e respondem pelas atividades nela desenvolvidas. Por esse motivo, divulgamos a Nota de Repúdio da IGS/Brasil, com a qual temos profundo acordo, e manifestamos nossa solidariedade e apoio aos colegas professores, técnicos-administrativos e estudantes daquela universidade, desejando que a resistência vença o silêncio e reverta mais este grave atentado contra as universidades federais e as instituições públicas deste país.

     

    Nota de repudio da IGS Brasil à nomeação do Reitor da UFPB

    A nomeação do professor Valdiney Veloso Gouveia como reitor da Universidade Federal da Paraíba, contra a vontade da comunidade acadêmica, representa uma nova provocação do governo Bolsonaro não apenas contra à autonomia universitária, mas um evidente desprezo às regras democráticas básicas. Apesar de ter recebido apenas 5% dos votos na consulta às categorias docente, discente e de servidores técnicos e de não ter recebido nenhum voto dos conselhos superiores (Consuni, Consepe e Conselho Curador), Valdiney foi escolhido pelo governo com arrogância e desrespeito pela comunidade universitária no seu conjunto. Também, por meio dessa intervenção autoritária, o governo Bolsonaro prossegue na sua estratégia de esvaziamento progressivo das instituições democráticas no Brasil com a precisa intenção de desarticular suas funções e seu papel social. Isto é coerente com uma ideia autoritária e bonapartista da relação unilateral entre
    o líder carismático e o povo, que não tolera qualquer intermediação possível por órgãos intermediários e instâncias democráticas representativas. Contra tudo isso, a International Gramsci Society Brasil exprime não apenas o seu repúdio, mas pretende denunciar em todas as instâncias nacionais e internacionais esse novo vulnus autocrático, convidando os seus filiados a se manifestar publicamente contra esse ato usurpatório dos sagrados direitos de cidadania, alicerçados nas liberdades fundamentais do povo e no princípio do respeito ao resultado democrático.

    Gianni Fresu
    Presidente International Gramsci Society Brasil

    https://igsbrasil.org/noticias/nota-contra-a-intervencao-na-ufpb/http://


  • Memórias do Confinamento: Poemas, Crônicas e Contos – Abel Ribeiro

    Publicado em 23/11/2020 às 23:00

    Memórias do Confinamento: Poemas, Crônicas e Contos – Abel Ribeiro

    Apresentação – Mauro Puerro  

    “O tempo é minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,
    a vida presente.”
    Carlos Drummond de Andrade
      

    Ao ler “Memórias do Confinamento”, escritos durante a pandemia que nos assola, recordei-me, na hora, do poema “Mãos Dadas” de Drummond. Seus dois últimos versos abrem este prefácio. “Mãos Dadas” é um dos poemas do livro “Sentimento do Mundo” publicado pelo genial poeta brasileiro em 1940. Suas poesias foram escritas entre 1935 e 1940, período de ascensão do nazi-fascismo e início da segunda guerra mundial, que deixavam muitas dúvidas sobre o futuro da humanidade. O “gauche” Carlos, homem com ideias de esquerda, buscava soluções coletivas nesta época difícil. O eu-lírico de “Sentimento do Mundo” refletia este paradoxo da época: a pressão de uma realidade que amedrontava cada indivíduo versus o olhar coletivo para a humanidade.

    Abel Ribeiro, professor, sociólogo, ativista, pessoa dedicada a mudar o mundo, escreve seus versos confinado, num momento em que a humanidade novamente está com terrível dúvida sobre seu futuro. A crise sanitária, econômica e política pressiona e amargura cada indivíduo. Muitos não têm certeza de estar vivos na próxima semana. E, se estiver, o que farão para sobreviver. E também se conseguirão sobreviver ao perigo fascista que voltou ao mundo e ao país como um pesadelo terrível do qual pensavam já ter se livrado.

    É neste cenário que o paraense Abel, confinado em Florianópolis escreve seus versos. Óbvio que este paralelo para apontar similaridades entre os eu-líricos não significa igualar “Memórias do Confinamento” com “Sentimento do Mundo”. Quando de sua publicação Drummond já era um poeta maduro e exuberante. Abel está lançando seu primeiro livro.

    Guardadas as devidas proporções e diferenças de períodos históricos distintos, o eu-lírico de “Memórias do Confinamento” também está prensado por uma contradição: a individualização física e todas suas consequências imposta pela pandemia de um lado, e de outro a solução coletiva necessária para a humanidade.

    Já em “Confinamento”, poema de abertura, o paradoxo que aflige o eu-lírico surge com força e evidência:

    “Quando comecei a ficar em casa

    Sala, cozinha, quarto, banheiro…

    O dia inteiro

    Comecei a me sentir ferido

    O animal social que havia em mim

    Ficou dividido”

    Aqui está cristalino o conflito imposto pela realidade: o indivíduo forçado à solidão e à introspecção em choque com o social que não o abandona. E mais adiante: “Percebi que o mundo queria me esmagar”. Mas há uma luz que aponta para uma possível solução do conflito: a palavra. Sua força pode ser a janela para o “novo amanhecer”, metáfora de um novo momento, momento no qual se fundiria os desejos do indivíduo e do coletivo. Esse poder da palavra surge em várias outras poesias de Abel.

    “Palavrear, reverbear minha vida.

    Foi então que descobri

    Um novo amanhecer!”

    O tempo, a vida e as pessoas deste difícil momento presente constituem-se na matéria prima dos poemas e textos do livro. Perpassa por quase toda as composições. Em “O Polissêmico”, o vírus, inimigo mortal da humanidade na atualidade é personificado através de prosopopeias bem construídas.

    “Ele é invisível, insensível e imprevisível;

    Multissintomático nos seus sintomas

    Indiferente e hostil lhe proíbe o abraço

    Provoca cizânia, afasta você das pessoas que gosta”

    Também em “Palmas para a Ignorância”, “As Feridas da Vida” e “De Improviso” surge com força o olhar crítico, às vezes ácido, sobre o presente, a vida e as pessoas. Já em “Ponto de Chegada” essa tríade salta associada à esperança:

    “Apertem os cintos, o velho mundo entrou em crise, começou a ruir.

    O sistema da mercadoria pariu uma nova situação. O deus mercado parou!”.

    E mais abaixo:

    “Sim! É preciso abrir o coração de esperança

    A tempestade é sóbria

    E como dizia Einstein: “é na crise que se aflora o melhor de cada um”

    “Sem crise todo vento é uma carícia”

    Apesar da situação crítica, opressora e do momento difícil durante o qual foram gestados seus textos, Abel consegue lhes dar um estilo leve, variado. Várias vezes namora com o concretismo – “Procurando o sentido”; “Brindando palavras”; “Estranho espelho”. Outra vezes brinca com a estrutura textual: “Divórcio com a forma”. Um dos pontos altos está em “Tirei uma Cartola do Bolso” ao utilizar o recurso da intertextualidade para dialogar com “O mundo é um moinho”, música do magistral compositor carioca.

    Mesmo quando se volta para o passado, seu ponto de partida é o presente. É o que se vê na bela e sensível homenagem a Ângela Maria e por tabela ao pai, à mãe e ao avô em “Poema para Abelim Maria”. É um livro escrito, em tempos sombrios, com delicadeza e esperança. Merece ser lido na solidão da pandemia ou de “mãos dadas” num ato de rua.


  • O Segundo Violino: Engels em seu Bicentenário

    Publicado em 09/11/2020 às 10:26

     

     

     

    É com enorme prazer que o TMT – Núcleo de Estudos sobre as Transformações no Mundo do Trabalho – UFSC, juntamente com o PPGPLAN e o Labtrams da UDESC, organiza o seminário “O Segundo Violino: Engels em seu Bicentenário”.

    Apesar de se considerar um coadjuvante do trabalho desenvolvido por Marx na construção de O Capital, Friederich Engels, o auto-proclamado “segundo violino”, é, sem dúvida, um pensador central na história do socialismo mundial. Nascido em 1820 na Alemanha, o jovem burguês desde cedo resistiu ao seu destino de classe – herdeiro e gestor dos negócios do pai – comprometendo-se com a classe trabalhadora, seu cotidiano, suas lutas, sua organização. Para comemorar sua história e importância na luta dos trabalhadores – ainda reverberante entre nós – bem como sua participação na publicação de importantes obras (sejam aquelas escritas conjuntamente com Marx, como A ideologia Alemã e a Miséria da Filosofia, ou as autorais, como A Situação da Classe Trabalhadora na InglaterraA origem da Família, da propriedade privada e do EstadoA dialética da natureza e Sobre a Moradia, entre inúmeras outras), realizaremos um Seminário virtual, público e gratuito. A inscrição é obrigatória para acesso à sala virtual, por meio da qual o evento será transmitido.

    Maiores informações nas redes sociais: https://www.facebook.com/PlanejamentoUDESC/posts/1428377970690887https://www.instagram.com/ppgplan.udesc/

    Inscrições: http://bit.ly/engels2020

     


  • SeCArte divulga exposição virtual ‘Os Trabalhos de Santa Catarina: sob o olhar de Waldemar Anacleto’

    Publicado em 08/10/2020 às 19:45

    A Secretaria de Arte e Cultura (SeCArte) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e o Núcleo de Estudos sobre Transformações no Mundo do Trabalho (TMT) apresentam a exposição virtual das fotografias de Waldemar Anacleto: “Os Trabalhos de Santa Catarina”. A exposição estava programada para ser presencial, mas devido à pandemia de Covid-19 foi adaptada para o formato virtual.

    Waldemar Anacleto foi fotógrafo do Governo do Estado de Santa Catarina entre as décadas de 1950 e 1970 e teve o olhar voltado para o mundo do trabalho e para os trabalhadores. As imagens registram um momento fundamental no desenvolvimento do estado, caracterizado pela industrialização e pela expansão no comércio, com efeitos profundos sobre os trabalhadores catarinenses. Waldemar faleceu em 2003, mas o mundo que o fotógrafo capturou em sua câmera ainda atrai a atenção do público catarinense.

    Acesse a exposição virtual “Os Trabalhos de Santa Catarina: sob o olhar de Waldemar Anacleto”

    https://sites.google.com/view/waldemaranacleto/apresenta%C3%A7%C3%A3o

    Confira o programa Canal Memória da TV UFSC com Waldemar Anacleto:

     

     


  • Educação e Revolução: a pedagogia socialista soviética Curso ELAHP | 2020

    Publicado em 17/09/2020 às 11:14

     

    Educação e Revolução: a pedagogia socialista soviética
    Curso ELAHP | 2020

    A Revolução Russa de 1917 alterou profundamente os destinos na humanidade, produzindo a primeira tentativa de construção de uma sociedade socialista. No campo educacional, a partir das reflexões de Marx e Engels, das experiências mais avançadas até então e, fundamentalmente, das iniciativas originais de abnegados educadores, foi produzida uma pedagogia socialista soviética que buscava construir uma nova humanidade, alicerçada na busca pela unidade entre teoria e prática, entre trabalho manual e intelectual, numa perspectiva de formação integral do ser humano.

    Entre avanços e recuos, essa construção educacional e pedagógica produziu experiências concretas que influenciaram diversas outras perspectivas teóricas e práticas, transformou a vida de milhões de trabalhadores e trabalhadoras que tiveram acesso a um conhecimento historicamente produzido e que até então lhes era negado, produzindo uma sociedade culturalmente mais avançada.

    O curso Educação e Revolução – a pedagogia socialista soviética fará uma análise crítica dessa importante experiência, contando com pesquisadores e professores especialistas em variadas temáticas.

    Percorreremos as fundamentações marxistas para a educação e o ensino, um panorama histórico da educação russa em suas diversas fases, o papel da educação no processo revolucionário, os debates e divergências sobre as perspectivas pedagógicas, as experiências de importantes educadores e suas teorias, as perspectivas teóricas e práticas no campo do desenvolvimento e de psicologia, o legado da educação russa.

    Para mais informações, acesse: https://elahp.com.br


    Programação completa
    Curso: Educação e Revolução: a pedagogia socialista soviética

    Sempre aos sábados das 9h00 às 12h00

    19 de setembro, sábado

    Aula 1 – Educação e ensino na obra de Marx e Engels
    Prof. Dr. José Claudinei Lombardi – Unicamp

    26 de setembro, sábado

    Aula 2 – Educação, Revolução e URSS: um panorama histórico sobre os fundamentos pedagógicos e as políticas educacionais soviéticas
    Prof. Dr. Leandro Sartori – UERJ

    3 de outubro, sábado

    Aula 3: Lênin: Educação Política
    Prof. Dr. Mário Borges Neto – UFU

    10 de outubro, sábado

    Aula 4 – Os debates iniciais sobre a construção de uma pedagogia socialista: a educação politécnica
    Prof. Dr. Leandro Sartori – UERJ

    17 de outubro, sábado

    Aula 5 – As influências do Pragmatismo para a pedagogia soviética nos anos iniciais
    Prof. Dr. Marco Aurélio Gomes de Oliveira – UFT
    Prof. Dr. José Carlos Souza Araújo – UNIUBE/UFU

    24 de outubro, sábado
    Aula 6 – Intelectuais da Pedagogia Soviética nos anos de 1920 : Pistrak e Shulgin
    Prof.ª Dr.ª Caroline Bahniuk – UnB e
    Prof.ª Dr.ª Sandra Dalmagro – UFSC

    31 de outubro, sábado

    Aula 7 – Makarenko: contribuições para a pedagogia soviética nos anos 1920 e 1930
    Prof. Dr. Luiz Bezerra Neto – UFSCar

    7 de novembro, sábado

    Aula 8 – Krupskaya e a educação soviética
    Prof. Drª Nereide Saviani

    21 de novembro, sábado
    Aula 9 – Lunascharski e o sistema educacional soviético nos anos 1920
    Prof. Drª Zoia Prestes – UFF e
    Prof. Drª Elizabeth Tunes – UnB

    5 de dezembro, sábado

    Aula 10 – Transformações educacionais dos anos 1930: planos quinquenais, formação escolarizada e educação social
    Prof. Dr. Leandro Sartori – UERJ

    12 de dezembro, sábado
    Aula 11 – Fundamentos da Psicologia Histórico Cultural para a Educação: Contribuições dos Intelectuais Soviéticos – Vigotski, Leontiev, Lúria e Elkonin
    Prof. Drª Zoia Prestes – UFF e
    Prof. Drª Elizabeth Tunes – UnB

    19 de dezembro, sábado

    Aula 12 – O legado da educação soviética para as perspectivas educacionais críticas: Gramsci e a Escola Unitária do Trabalho
    Prof. Dr. Marcos Francisco Martins – USFCar

     

    Maiores informações e inscrições: https://elahp.com.br